curta exposição da biblioteca dos estragos

6ª, 19 abril 20h00 entrada livre





20h00 Jantar de apoio à B.O.E.S.G.

22h00 Apresentação da Biblioteca e Observatório dos Estragos da Sociedade Globalizada (B.O.E.S.G.)

Após dois séculos de produção industrial-mercantil, fruto da ideologia da técnica, a acumulação de desastres é enorme. O prometido «progresso moral e social» que nos levava à «felicidade universal», transformou-se em pesadelo.

Por um lado, em parte nenhuma o Estado é menos Estado, menos potente, menos directivo. Pelo contrário, o Estado é cada vez mais opressivo à medida que é cada vez mais abstracto. E o resultado da demissão do indivíduo na resolução dos problemas da actualidade é uma desordem sem precedentes através de uma ordem rigorosa mas claramente inumana.

Por outro lado, aquilo que se produz é na sua grande maioria insalubre, destrutivo, nefasto para o ser humano, para os restantes animais, para os vegetais, para os elementos mais básicos à vida: a água, a terra, o ar.

Além disso, a sociedade tecno-industrial-mercantil produz simultaneamente mulheres e homens capazes de suportar um mundo cada vez mais afastado quer do humano quer do meio natural. Ou pelo menos incapazes de formular e de comunicar a sua insatisfação, o que é o mesmo. São pois estes aspectos da produção de estragos que queremos sabotar, uma vez que é aí que podemos ter alguma acção.

O nosso propósito, enquanto Biblioteca Observatório dos Estragos da Sociedade Globalizada* - e Dos Meios Para a Combater - tem dois objectivos: mostrar como cada uma das especializações profissionais que compõem a actividade social contribuem para a degradação geral das condições de existência; vamos cartografar essa degradação expondo a produção de estragos como desenvolvimento autoritário onde a arbitrariedade é, na nossa época, a imagem invertida da liberdade possível.

Trata-se ao mesmo tempo de indicar, ali onde se puder discernir, as vias para ultrapassar esta paralisia do ser humano que os governantes, os proprietários, os tecnofílicos sonham tornar irreversível, sobrecarregando o presente com próteses.

Não temos modelos para edificarmos a Biblioteca dos Estragos; tudo está para construir.

*Sociedade globalizada, englobante, poderosamente integradora e abstracta.

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